A NOVA GERAÇÃO DE CENTRAIS

Hoje abordarei um assunto que está criando uma enorme dificuldade para o mercado de reparação independente. É a respeito da nova geração de centrais que usam a tecnologia FLEX-EPROM. Estas novas centrais permitem, quando há a necessidade de corrigir ou alterar sua calibração, apagar o seu conteúdo e gravar o novo programa, com suas devidas correções. O veículo vai até uma concessionária e através de equipamentos específicos, esta nova calibração é feita e o problema está resolvido. Só que tem que, tanto esta nova calibragem como também a forma de fazê-la não esta disponível para o mercado independente e nem sei se um dia estará??? Quando a montadora compra um sistema da Bosch, da Magneti Marelli ou de outro qualquer fabricante, para equipar um novo modelo de carro, ela é agora a dona deste sistema com sua devida calibração. Quando ela altera o programa com sua nova calibração, só ela sabe o que foi alterado e isto com certeza não nos será dado de bandeja vocês não acham? É aí que começam nossos problemas! Para vocês terem uma idéia melhor do que eu estou dizendo, antigamente, as centrais quando apresentavam algum problema de calibração, por exemplo, nos Pálios 1.0 mais antigos (98/99), equipados com o sistema IAW-1G7 da Magneti Marelli, apresentavam falhas, tipo brancos na aceleração que geravam uns estouros no filtro de ar, característicos de mistura pobre.

Quando você fazia uma chamada rápida e funda no acelerador com o motor ainda frio, isto era comum de acontecer. Fazendo os testes em laboratório, a engenharia descobriu que precisava aumentar o tempo de injeção, ou seja , mais gasolina para um enriquecimento maior da mistura nesta fase de funcionamento. Foram feitas as devidas modificações, gravado um novo mapa e fabricada uma nova central eletrônica. Aí eram recolhidas todas as centrais que havia nos estoques das concessionárias e disponibilizadas agora estas novas centrais com nova numeração. Isto acabava por gerar uma enorme despesa e prejuízo para a montadora. Agora com esta nova tecnologia, isto não mais acontece. As modificações exigidas para correção do problema apresentado, são eliminados com a gravação do novo mapa, na própria central do veículo. Uma marcação é feita com
tinta para identificar as centrais corrigidas e uma nova etiqueta é colada no lugar da antiga, trazendo agora a nova numeração da central. Esta operação se chama"TELE-CARREGAMENTO".

Um exemplo que estava acontecendo com o sistema de injeção 5NF, da Magneti Marelli, que equipa os Pálios Weekend e Siena 1.0, 16 válvulas com acelerador eletrônico. Os veículos apresentam falhas registradas em memória com erro de sensor de pressão absoluta e sonda lamba e provocam o acendimento da lâmpada de anomalia. O mecânico faz os testes devidos nas peças que geraram os códigos de falhas, às vezes até substituem as peças como sensor de pressão absoluta e sensor de oxigênio e os erros e falhas continuam. O problema na verdade não é das peças, nem do chicote e sim da central. O procedimento correto para a solução deste problema é o veículo ir a uma concessionária ou posto de serviço da Fiat, ser ligado ao equipamento conhecido por EDI (que é o scanner da Fiat), via modem ele comunica diretamente com a fábrica. Algumas recomendações são feitas para o correto funcionamento da operação como bateria do veículo carregada, observar a ligação dos cabos de comunicação bem fixados (se houver interrupção da comunicação durante o tele-carregamento a central estará danificada para sempre) e a operação começa.

O programa antigo é apagado e o novo programa corrigido é
agora gravado na memória da central e o problema resolvido.
Este é apenas um exemplo de um grande numero de problemas apresentados nos novos sistemas que usam a tecnologia Flex-Eprom. Pelas notícias que tive, tanto Fiat, quanto Volkswagem e também a GM estão com alguns veículos apresentando problemas de calibragem de central que exigem estas intervenções e deixando os mecânicos de pés e mãos amarradas. Estou pesquisando alguns modelos
e sistemas que estão apresentando problemas com calibração de central e necessidade de tele-carregamento. Quando já tiver em mãos tais informações, escreverei a respeito para vocês. Vamos torcer para que esta nova tecnologia esteja disponível para o mercado independente o mais breve possível. Sem ela, haverá uma impossibilidade para resolvermos os problemas nos veículos dos nossos clientes. As autoridades competentes terão que tomar algumas providencias a nosso favor para que isto não impossibilite o nosso trabalho. Deve-se levar em consideração que o mercado independente é muito forte e responsável por grande parte da economia do país. Merece consideração e respeito!

Até a próxima e um abraço a todos!