FREIOS ABS - FUNCIONAMENTO E PROCEDIMENTOS DE SANGRIA DOS SISTEMAS

Olá meus amigos leitores, continuando nossos comentários a respeito de sistemas eletrônicos, hoje, a pedido de alguns alunos falarei sobre a função do Sistema de Freio ABS e dos procedimentos que são fundamentais para o seu perfeito funcionamento.Para os sistemas convencionais também conhecidos por sistemas hidráulicos e os sistemas ABS um procedimento importantíssimo é a SANGRIA DO SISTEMA. Em ambos, a sangria é fundamental porém, para os sistemas de freio com ABS, se não for feita na seqüência correta, teremos problemas com a frenagem, com a altura do pedal e no comprometimento da eficiência do sistema. O que se observa nas conversas com os mecânicos é que são poucos os que sabem deste procedimento. Muitos tem feito esta sangria de forma errada. Esta matéria é para tirarmos estas duvidas. Vou falar um pouco sobre este sistema e usarei como exemplo os sistemas de freio Bosch que são muito usados em vários veículos fabricados aqui no Brasil e também pelo mundo a fora.

Primeiro um resumo sobre este sistema. O ABS ( Sistema Ante Bloqueio dos Freios) tem por finalidade fazer com que o sistema de freio funcione de uma forma inteligente e eficaz, controlando de forma homogenia a frenagem mesmo no uso brusco pelo condutor do veículo. Ao se travar as rodas tanto dianteiras quanto traseiras, perdi-se o controle do veículo, dificultando a dirigibilidade do mesmo. Então dizemos que a função do ABS é estabilidade, dirigibilidade, garantia na redução da distancia da parada e satisfazer as mais complexas situações de frenagem. Com o sistema ABS, usa-se o maior coeficiente de atrito do pneu com o piso, o que possibilita uma parada mais rápida do veículo. O sistema começa a atuar com a velocidade acima de 2,6 km por hora. Uma curiosidade, nos paises da Europa, com ocorrência de neve, tem o ABS em 100% da frota circulante. O primeiro sistema ABS foi lançado no ano de 1978. Nos veículos mais atuais, o sistema ficou mais completo. Na sua evolução veio o sistema ASR ( Controle de Tração), com o sistema EDB (Distribuição de Força de Frenagem) e mais evoluído o sistema ESP (Controle de Estabilidade). Todas estas funções estão dentro de uma só unidade de comando.Seus componentes são:

1- Sensores de rotação que tem como função transformar o comportamento físico das rodas em sinais elétricos. Podem ser encontrados na forma de sinal de onda senoidal ( sensor indutivo) ou sinal de ondas quadradas (sensor ativo - hall ).
2- Cilindro Mestre com Válvula Central
3- Unidade de Comando Eletrônico que recebe os sinais das rodas e processa as devidas estratégias de cálculos
4- Central Hidráulica que atua nas rodas.
5- Nos sistemas com ESP, também sensor de direção e carroceria.
6- Motor da bomba da central hidráulica
7- Lâmpada Indicadora de Funcionamento e Avarias

Nos sistemas antigos o ABS atuava em 10 vezes por segundo em relação a cálculos. Hoje nos sistemas ABS ele atua até 20 vezes por segundo (Geração 5.) Estes cálculos são feitos baseando-se no momento de maior atrito do pneu com o solo(quando se pisa no freio) e as rodas ainda estão girando. O valor para início dos cálculos no que tange a velocidade de deslizamento é de 20%. A unidade faz estes cálculos pela velocidade do eixo principal da roda e a superfície do pneu. Estes cálculos baseiam-se no diâmetro total da roda e da largura do pneu. Números e tamanhos específicos de dentes, variam de veículo para veiculo.
O motor da central hidráulica tem capacidade de até 100 ampéres de carga consumo. Outras nomenclaturas encontradas nas informações técnicas são: Sistema 2S ( Geração e série ), 4S ( Quatro sensores ), 3K ( 3 Canais - número de saídas hidráulicas).

A quantidade de canais é referente à atuação no sistema que pode ser: I R - regulagem individual ( uma tubulação por roda ), S L - Seleção da roda mais lenta ( uma tubulação para duas rodas ).

Os sistemas 2S são chamados de sistemas Analógicos. Estes não permitem a leitura via scanner. Para estes existe um equipamento da Bosch que se chama LED TESTER. Estes sistemas 2S, existe dois tipos. O primeiro que equipa os Veículos GM são constituídos de 4 sensores, 4 canais e 4 solenóides. O segundo equipa os veículos da Auto Latina (V.W e Ford ) e também Fiat Tempra SW que são constituídos de 4 sensores, 4 canais e 4 solenóides.
Em relação ao óleo recomendado é o DOT 4 ou superior.
Já os sistemas 2 E ( Vectras A e B e Fiat Tempra 2.0 ) são sistemas digitais. Nestes sistemas são 3 solenóides porem internamente teremos o pistão flutuante e também teremos 4 canais (controles individuais por roda). Em relação aos códigos de falhas encontraremos de dois tipos. O de dois dígitos e o de código direto seqüencial. No Corsa da GM, tem códigos de piscadas porém não está liberado aqui no Brasil. O funcionamento e controle das rodas traseiras são feitas por um solenóide e um pistão flutuante.

Este foi um resumo de Sistemas ABS Bosch 2S e 2E. Aconselho a todos um estudo mais aprofundado destes sistemas para um melhor entendimento.

A seguir algumas seqüências de sangria para os veículos equipados com ABS. É fundamental que se faça na seqüência certa. Isto fará que o sistema trabalhe mais eficientemente.

Sistema ABS 2S- 4S/4K - 1- cilindro de freio da roda traseira direita
2- cilindro de freio da roda dianteira esquerda
3- cilindro de freio da roda dianteira direita
4- cilindro de freio da roda traseira esquerda

Sistema ABS 2S 4S/3K - 1- cilindro de freio da roda traseira direita
2- cilindro de freio da roda traseira esquerda
3- cilindro de freio da roda dianteira direita
4- cilindro de freio da roda dianteira esquerda

Sistemas ABS 2E 4S/4K - 1- cilindro de freio da roda dianteira esquerda
2- cilindro de freio da roda dianteira direita
3- cilindro de freio da roda traseira esquerda
4- cilindro de freio da roda traseira direita
OBS: Após a troca da unidade hidráulica ou do cilindro mestre se não for feita a seqüência correta, pode entrar ar no pistão flutuante e com isto pode aumentar o curso do pedal e piorar a qualidade da regulagem do ABS.

Abaixo algumas seqüências por carro.

AUDI A3 1.8 TURBO ANO 2000 - 1- cilindro de freio da roda traseira direita
2- cilindro de freio da roda traseira esquerda
3- cilindro de freio da roda dianteira direita
4- cilindro de freio da roda dianteira esquerda

HONDA CIVIC 1995 À 2001 1.6 DOHC 1- cilindro de freio da roda dianteira esquerda
2- cilindro de freio da roda dianteira direita
SISTEMA BOSCH 5.3 3- cilindro de freio da roda traseira direita
4- cilindro de freio da roda traseira esquerda

PEGEOUT 206 1.6 16V 2000 À 2004 1- cilindro de freio da roda dianteira esquerda
2- cilindro de freio da roda dianteira direita
SISTEMA TEVES 3- cilindro de freio da roda traseira esquerda
4- cilindro de freio da roda traseira direita

Viu gente como saber destes procedimentos é fundamental para o reparador. E outra coisa, vocês viram como muda de sistema para sistema. Acima só alguns exemplos pois como disse em matérias anteriores, nosso espaço é curto e as informações são muitas. Fortaleço aqui o que venho repetindo para meus alunos e para todos os mecânicos que me procuram. É fundamental que o reparador faça também investimentos em informações técnicas. Eu citei uma meia dúzia de veículos em um universo enorme de modelos nacionais e importados. Para cada veículo, a seqüência de sangria pode ser diferente. Nada melhor que o manual técnico daquele sistema específico para que seu trabalho saia correto e eficiente de dentro da sua oficina. E o mais importante SEGURO. Com sistema de freio não se brinca. Ele é um sistema que faz com que o veículo seja seguro e confiável. Da sua eficiência dependem vidas, lembre-se disto. Quaisquer dúvidas, podem entrar em contato que procuraremos esclarecer. A respeito de cursos, quem tiver interesse favor ligar para ELETROTÉCNICA CONSULTORIA E TREINAMENTO (31) 34226911ou 88758467 e passaremos todas as informações necessárias. Um abraço a todos e até a próxima.