ENTREVISTA/ROBERTO ALFEU

Com a proximidade do fim de ano, a hora é de fechar as contas, de analisar e fazer um balanço do período que termina. O momento é também propício para traçar planos e metas para o novo ano. Para os lojistas de Minas, 2006 chega ao fim com um saldo positivo. A aprovação do Código de Posturas trouxe, especialmente à cidade de Belo Horizonte, maior organização, especialmente com a transferência dos camelôs para os shoppings populares. Além disso, com o apoio de entidades como a Câmara dos Dirigentes Lojistas houve crescimento da regionalização, fortalecimento dos centros comerciais, além da aprovação Lei Geral das micro e pequenas empresas. Para falar um pouco mais sobre as conquistas que contribuem para trazer melhorias aos empresários, o Minas Motor Show entrevista o presidente da CDL/BH, Roberto Alfeu.

MMS - Como a CDL/BH apoiou a aprovação do Código de Posturas?
RA- A CDL/BH liderou e mobilizou entidades em busca de uma maior apoio para a aprovação do Código. O objetivo da entidade foi contribuir para a melhoria do ambiente urbano, redução da concorrência desleal, dentre outros fatores que contribuem para o aumento das vendas e dos lucros para a cidade como um todo.

MMS- Na opinião do senhor, quais os benefícios conquistados com o código de posturas, para a cidade e para os empresários/lojistas?
RA- Proposição de alterações nos aspectos que impactam o comércio, principalmente nos assuntos referentes à proibição das atividades dos camelôs nas calçadas, combate às feiras de varejo e melhorias para as questões relacionadas à engenho de publicidade

MMS- Qual a ação da CDL/BH no fortalecimento dos centros comerciais? Como a CDL/BH enxerga estes centros e como trabalha para o desenvolvimento dos mesmos?
RA- A CDL/BH tem implantado os Conselhos Regionais que são fóruns de discussão com a participação de lojistas, órgãos públicos e membros da comunidade. Eles têm como objetivo propor ações para o desenvolvimento do comércio, segurança pública, trânsito, capacitação empresarial e outros que envolvam a comunidade. O Conselho Regional do Barreiro foi empossado no dia 11 de julho e o da Savassi no dia 22 de setembro.

MMS- Como presidente da CDL/BH, qual foi a participação do senhor no processo de aprovação da Lei das Micro e Pequenas Empresas?
RA- O projeto da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas é resultado do trabalho da CDL/BH, Sebrae e diversas outras entidades. Foram meses de muita negociação na elaboração do projeto de Lei e acompanhamos de Brasília todas as votações. Acreditamos que a proposta valoriza o comércio e, em momento algum deixamos de trabalhar para a aprovação da Lei. O grande passo a ser conseguido com a aprovação da Lei é resolver de uma só vez todos estes problemas que levam as empresas ao fechamento ou que inibem os 10 milhões de negócios informais a se formalizarem. A Lei visa facilitar a operacionalização dos pequenos negócios e estimular a formalização de milhões de empreendimentos, gerando emprego e distribuindo renda. O principal desafio da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas é reverter um quadro onde a sobrecarga tributária e o excesso de burocracia impostos pelos governos são os grandes vilões dos brasileiros, prejudicando os pequenos empreendedores que enfrentam dificuldades para manter seus negócios e, conseqüentemente, os empregos e a renda gerada. Os pequenos empreendimentos representam 99,2% das 4,6 milhões de empresas formais e são responsáveis por aproximadamente 60% da mão-de-obra empregada com carteira assinada em todo o país. No Brasil são abertas aproximadamente 500 mil empresas por ano, sendo também grande o número das que fecham. Anualmente 250 mil empresas fecham suas portas. Os fatores dessa grande "mortalidade" incluem o excesso de tributação, a falta de condições acessíveis para o crédito, a dificuldade de venda aos governos, a não disponibilidade de recursos para inovação e tecnologia, o excesso de burocracia para a abertura e o fechamento de empresas e a deficiência nos aspectos de gestão dos empreendimentos.

MMS- Em que consiste a campanha de recuperação do crédito e qual o seu benefício para a população e empresários?
RA- A campanha de recuperação de crédito é uma das ações do CDL+Lojista, o maior programa de apoio e desenvolvimento do comércio já feito em Minas Gerais. Nos próximos meses, a CDL/BH disponibilizará para os seus associados uma série de ações que vão desde uma grande campanha de recuperação de crédito, até ciclo de palestras, workshops, diversos cursos, Programa de Capacitação Empresarial (PCE), discussão sobre temas empresarias e muitas outras novidades. As ações que fazem parte do programa CDL+Lojista incluem a Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, o Jovem Empreendedor da CDL/BH, Conselhos Regionais, Recuperação de Crédito, Banho de Loja e Degustação de Produtos. A Campanha de recuperação de crédito será realizada de 6 a 10 de novembro, de 7 às 22 horas, no Centro de Convenções da CDL/BH (avenida João Pinheiro, 495 - bairro Funcionários) e tem como objetivo reduzir a inadimplência no mercado, recuperar o poder de crédito do consumidor e aquecer as vendas no comércio. As facilidades para pagamento incluem descontos que podem chegar a 50% e parcelamento da dívida em até três vezes com descontos de até 30% sobre o valor corrigido. A campanha conta com a participação de grandes lojas e bancos, como Telemig Celular, Ricardo Eletro, Banco Semear, dentre outros. Mais de 300 lojistas já fecharam contrato para cobrança via CDL/BH. São esperados 5 mil consumidores por dia e o número de pessoas quitando as dívidas deve chegar a 12,5 mil durante a campanha.

MMS- Quais algumas ações da CDL, realizada nos últimos dois anos, que o senhor destacaria como importantes?
RA- Revitalização da rua dos Caetés; implantação do Código de Posturas; projeto Sempre Savassi; criação do Instituto Viva BH; parceria no programa Campos de Luz; Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas; participação na elaboração do projeto que regulamentou a Lei do Combate ao Incêndio e Pânico; apresentação de sugestões ao projeto de lei que criou o Micro Geraes; implantação do emissor de cupom fiscal (ECF). E ainda: preservação de espaço público e aumento de competitividade; participação nas discussões sobre substituição tributária; defesa ativa no posicionamento dos lojistas de shopping; participação na formatação do Projeto Minas Ativa - Empresa Competitiva e Minas em Dia, inserindo benefícios para o comércio; trabalho firme para garantir o funcionamento do comércio aos domingos e feriados; projetos em busca da mobilização pela segurança, como o Minas pela Vida; projeto Olho Vivo.
As ações são inúmeras. Poderia citar ainda como exemplo o convênio com a PMMG visando proporcionar mais segurança nas áreas comerciais e shopping centers; parceria com o Programa Volta do governo estadual; missão internacional para conquistar oportunidades comerciais; parceria com a PMMG para implantação do 41º Batalhão da Polícia Militar no Barreiro; criação do Conselho Regional do Barreiro e da Savassi; parceria com o governo estadual para a campanha Minas Solidária e projetos diversos da Fundação CDL Pró-Criança, além de vários outros projetos.

MMS- Qual a avaliação que o senhor faz do semestre que chega ao fim, e expectativas para o último mês do ano?
RA- Este ano, o comércio contou com menor número de dias úteis. Ainda, a Copa do Mundo de Futebol apareceu como um agravante, na medida em que desviou os consumidores das lojas. Apesar de nos meses anteriores ter contribuído para o resultado das vendas em alguns ramos (principalmente eletroeletrônicos), teve impacto negativo sobre o índice geral de vendas no varejo em Belo Horizonte. A questão cultural jogou importante papel. Durante a Copa do Mundo menos horas foram dedicadas às atividades comerciais. Ainda, consumidores estavam menos propensos ao consumo, já que as atenções foram direcionadas ao evento esportivo.
O resultado do varejo no primeiro semestre deste ano foi também prejudicado pela falta de planejamento por parte dos consumidores, efeito da popularização do crédito. Recentemente foi constatado que os jovens com até 20 anos dobraram sua participação entre os inadimplentes. Muitos deles tornam-se inadimplentes em função da facilidade de crédito (contas universitárias, por exemplo) e ausência de renda. Outros simplesmente pela falta de condição de organizar as finanças pessoais. Já a terceira idade sofre com a deterioração do orçamento em função de uma cesta composta basicamente de bens de primeira ordem (alimentos e remédios, por exemplo). A amortização do crédito contraído em um momento anterior e a inadiável contrapartida deste (já que muitas vezes o desconto acontece na folha de pagamento) faz com que a terceira idade utilize outros meios de pagamento. O crédito contraído em um momento anterior compromete agora o montante direcionado ao varejo. O aperto do orçamento familiar vem contribuindo também para o aumento na inadimplência.

MMS- O panorama é negativo?
RA - Os resultados nesta base de comparação, apesar de negativos, são cada vez melhores sinalizando a recuperação da capacidade de endividamento das famílias. Superado o pico da inadimplência, a recuperação do crédito e os ganhos reais na renda dos trabalhadores acabam por repercutir em melhores resultados. Em julho e agosto, o aumento na oferta de crédito e queda nas taxas de juros foram acompanhadas por melhores resultados no comércio. A injeção de novos recursos (expurgos FGTS, restituição do IR e adiantamento de metade do 13º de aposentados e pensionistas do INSS) também vem contribuindo para a gradual melhora dos resultados, assim como os avanços reais no salário mínimo e a queda no desemprego. Espera-se, ainda este ano, zerar as perdas - com margem para algum crescimento.