ECONOMIA

O BRASIL EM 2007

O cenário econômico do país não irá apresentar grandes modificações no próximo ano, com a reeleição do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Para o professor do Ibmec, Marcus Renato Silva Xavier, que também é economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o ambiente interno não apresentará surpresas, até porque também o cenário externo, a princípio, não deverá registrar turbulências. "Em nível internacional, o ajuste mais esperado é o freio na economia norte-americana, que se trata apenas de uma desaceleração. Nesse caso, a China passará a vender menos para aquele país, entrando mais em outros mercados, como o Brasil, e com uma pequena redução de seu PIB (Produto Interno Bruto). Mas o ajuste é esperado."

Segundo o economista, durante seu período de campanha, inclusive para o segundo turno das eleições, o presidente Lula percebeu que sua vitória está relacionada ao desempenho da economia durante o seu primeiro mandato. Dessa forma, irá manter o freio inflacionário, através de uma política austera de taxa de juros a fim de se evitar o repique inflacionário.

A perspectiva é de que a inflação do país em 2007 fique entre 3,5% e 4%, com a taxa Selic em torno de 12%, com o câmbio valorizado (o dólar cotado em valor máximo de R$ 2,20). "O Brasil ainda irá praticar um dos maiores juros reais, cerca de 9%. Mas a taxa de juros está mantendo uma trajetória de queda, que não deverá ser quebrada no próximo ano. A política de crescimento da economia, que é baseada na expansão do crédito, também deverá ser mantida."

Quanto às reformas de governo, Marcus Xavier, não é otimista. Apesar de alguns analistas acreditarem que as mais urgentes, como a Reforma Tributária, entrarão na pauta do governo, o economista disse acreditar que para o consumidor final nada de novo irá acontecer. Alertou ainda que o consumidor deve continuar evitando o endividamento, porque os impostos não irão reduzir.

"Na verdade, o que se busca com a Reforma Tributária é a redução da guerra fiscal, ou seja, o fim da diferença da incidência de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) entre os estados. Ainda assim, não sei se o governo irá avançar. Mas, caso isso ocorra, não afetará em nada o bolso do consumidor."

Também para os empresários proprietários de empresas de micro e pequeno porte o ambiente econômico não será alterado. Pela base de apoio conseguida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo com a Reforma Trabalhista nada será feito em prejuízo para os sindicatos de trabalhadores. "A vitória de Lula teve como base esse ambiente de política econômica mais austera, que não será modificado. O período de bonança será mantido."