ENTREVISTA/JOSÉ
RICARDO SANTANA
MEIO AMBIENTE
Oficinas de Minas no caminho certo
Os dados recentes não deixam dúvidas: o meio ambiente
está doente, mas ainda tem cura. Por todos os lados, em vários
países do mundo, inclusive no Brasil, constatamos, diariamente,
cenas de agressões que põem em risco o planeta e seus
habitantes. Cientistas e especialistas no assunto já advertiram:
se não mudarmos a nossa maneira de conviver com a natureza, se
não assumirmos atitudes responsáveis para preservar o
meio ambiente, um desastre ecológico será inevitável.
Pior: irreversível. É hora de arregaçarmos as mangas
e, cada um, fazer a sua parte. E é exatamente isso o que está
fazendo a Associação das Oficinas Reparadoras de Automóveis
de Minas Gerais - Assora/MG, que lançou o Projeto de Gestão
do Meio Ambiente do Setor de Reparação Automotivo - GASA.
Sobre esse assunto, o Minas Motor Show traz entrevista especial com
o presidente da Assora, José Ricardo Santana. Administrador de
empresas, com pós-graduação em administração
financeira, José Ricardo é também sócio-diretor
da Capitão Centro Automotivo Ltda (Av. dos Andradas, 1.315, Centro),
e está há 20 anos no setor automotivo.
MMS:
Estava
previsto, para este ano, o lançamento de um projeto voltado para
a preservação do meio ambiente nas oficinas mecânicas,
uma iniciativa educativa de incentivo à reciclagem e outras atitudes
ambientalmente corretas. Como foi o desenvolvimento dessa ação?
JRS:
Trata-se do Projeto de Gestão do Meio Ambiente do Setor
de Reparação Automotivo - GASA. Os empresários
do setor, preocupados com a questão ambiental, por intermédio
da Assora - Associação das Oficinas Reparadoras de Automóveis
de Minas Gerais, a qual presido atualmente, contratou uma equipe de
consultores formada pelo sociólogo Plínio da Franca, o
biólogo e epidemiologista Márcio Farah e o geógrafo
Gustavo Meyer que, sob nossa coordenação, realizaram uma
pesquisa de campo para mensurar os impactos negativos gerados ao meio
ambiente pelas atividades do setor. Com base nesta pesquisa, o projeto
elaborado constitui-se de uma solução aos impactos no
meio ambiente com a aplicação de sua metodologia.
MMS:
Como está o desdobramento do GASA?
JRS:
O projeto foi apresentado em Audiência Pública
na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, no mês de julho,
com a presença de várias autoridades, dentre elas representantes
da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, do IGAM, da FEAM, da Secretaria
Estadual do Meio Ambiente, de vários parlamentares, Ongs Ambientalistas,
empresários do setor e da sociedade civil. Na oportunidade, todos
os presentes apoiaram o projeto salientando sua importância e
urgência em ser implementado. Da mesma forma, ocorreu em 29 de
novembro uma reunião especial promovida pela Câmara dos
Vereadores de Belo Horizonte, onde o GASA foi apresentado novamente
à sociedade e também unanimemente aprovado. Salientamos
que a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte conferiu
ao projeto um atestado onde ratifica sua imperativa e urgente implementação,
pois considera uma solução a prevenção e
preservação do meio ambiente.
MMS:
Quais as principais medidas adotadas pelas oficinas mecânicas,
a partir do projeto?
JRS:
Por ora, a principal medida é o apoio incondicional
que os empresários das oficinas estão dando ao projeto,
na medida em que a metodologia de gestão ambiental contida nele
estará sendo implementada dentro delas.
MMS:
Quais as pequenas e simples atitudes que podem ser tomadas para a preservação
do meio ambiente?
JRS:
Quando você fala em atitudes, está falando de comportamentos,
que têm como sua fonte geradora a cultura de cada indivíduo.
Parece simples dizer às pessoas o que elas devem fazer como,
por exemplo, não jogar papel na rua, lugar de lixo é no
lixo, lave as mãos antes de comer, etc. A prática, porém,
nos demonstra que no dia-a-dia, as pessoas têm ações
(atitudes) diferentes das informações armazenadas em seus
cérebros por várias razões. Mudar atitudes, portanto,
passa por uma questão complexa que é o processo educacional
isto é, de formação de uma nova cultura em relação
às nossas atitudes frente a tudo com que nos relacionamos. A
metodologia do GASA se fundamenta nesta formação de cultura,
por isto sua relevância e credibilidade enquanto proposta de solução.

Local
onde o material para reciclagem é armazenado na Oficina Capitão.
MMS:
Em se tratando de reciclagem, como está a situação
atual do setor?
JRS:
Esperamos que o GASA entre logo em funcionamento para que a reciclagem
possa de fato efetivar-se.
MMS:
Explique, com mais detalhes, como a reciclagem pode beneficiar
as próprias oficinas e também a comunidade no entorno.
JRS:
Com a gestão dos resíduos das oficinas, será dado
o destino adequado àqueles que não são recicláveis
e aos que são, o que trará um retorno para as oficinas
no tocante à sua produtividade, tendo em vista que o espaço
físico das mesmas terá maior aproveitamento e, ainda,
com a venda de forma organizada das sucatas com valor venal. Com relação
à comunidade, é notório uma vez que estará
sendo mitigado/eliminado os impactos negativos ao meio ambiente.
MMS:
A sua oficina já toma várias iniciativas. Quais são
e em que têm contribuído em termos de economia, no tocante
à reciclagem?
JRS:
Atualmente, já fazemos uma seleção na
armazenagem de nosso lixo, cuidamos das questões de manutenções
da caixa separadora de água e óleo, tomamos cuidado com
o trato dos resíduos em geral. Com a implementação
do GASA, estaremos nos adequando de forma mais ampla e sistemática
às nossas atitudes atuais.

Local onde
é armazenada a água contaminada pelo óleo na Oficina
Capitão.
MMS:
Quanto
ao óleo, como está acontecendo - ou deveria ocorrer -
a correta utilização do produto e o reaproveitamento do
mesmo?
JRS:
Esta é uma questão que ainda está sendo discutida
pela Secretaria Nacional de Qualidade Ambiental do Ministério
do Meio Ambiente e, especificamente, na resolução 362/2005
da ABNT.
MMS:
Quantas oficinas de funilaria e pintura existem em BH?
JRS:
Avaliamos que na RMBH existem aproximadamente cinco mil oficinas.
MMS:
Quais as principais diretrizes enfocadas pela Assora especificamente
na questão do meio ambiente e melhor qualidade de vida para os
profissionais do setor?
JRS:
A Assora está convencida que nos tempos atuais, quem
não cuidar do meio ambiente, está fora do sistema de vida
planetária. Cuidar do meio ambiente é cuidar não
só da preservação de nossa espécie como
também da saúde de nossos empreendimentos. As legislações
estão ficando mais rigorosas devido à situação
global em que se encontra o planeta, ameaçando nossas gerações
atuais e futuras. Estamos vivendo uma quebra de paradigma de que o capitalismo
sobrevive da produção sem uma gestão ambiental
de seus meios produtivos. Ao contrário, sobreviverá se
houver uma gestão adequada destes meios pois, afinal, quem sustenta
o sistema somos nós, seres humanos, enquanto consumidores. O
GASA passa a ser uma grande diretriz de nosso setor.
MMS:
Quanto à fiscalização, existe alguma medida
que obriga as oficinas a se adequarem a algum tipo de comportamento
e/ou regulamento?
JRS:
Ficou definido na reunião especial de 29 de novembro,
na Câmara dos Vereadores de Belo Horizonte, que estarão
sentando à mesa o setor e o poder público municipal para,
juntos, delinearem uma forma adequada e inteligente de atuação
do setor com relação às suas atividades e preservação
do meio ambiente. Consideramos isto um avanço muito grande nestas
questões. Parece-nos estar sendo praticada a boa vontade de ambas
as partes e, com certeza, onde há boa vontade, tudo se resolve
da melhor maneira em benefício de todos.
MMS:
Quais os principais projetos da entidade para 2007?
JRS:
Indubitavelmente o GASA será um grande projeto para
o ano que vem, além de ações já em andamento.
|