FORÇA DE MINAS
Gontijo: 1,7 mil veículos no Brasil


Quando foi fundada, há 67 anos, a Viação Gontijo tinha,
entre os seus ativos, um empreendedor chamado Abílio Pinto Gontijo. Perspicaz, Abílio já havia trabalhado em oficina mecânica, onde adquiriu conhecimento técnico suficiente para adaptar uma jardineira. Ele fez com que o veículo, movido a diesel, rodasse com álcool – na época havia
racionamento do combustível devido a 2 Guerra Mundial.


Contijo

Nascia aí a linha de ônibus de Patos de Minas para Carmo do Paranaíba. A segunda rota teve como destino a capital do Estado, Belo Horizonte, onde atualmente funciona a sede e o departamento de manutenção da segunda maior empresa do
segmento, em passageiro/quilômetro. O diretor de Suprimentos da empresa, Marco Antônio Boaventura Gontijo,
representante da segunda geração do fundador, destacou que a organização utiliza um software específico para
gerenciar o estoque, com 25 mil itens, para o abastecimento mensal. Os serviços de mecânica, chassi, carroceria
e retífica também são realizados no Estado, por equipe própria. Os serviços de manutenção mais simples são realizados nas 90 garagens localizadas pelo país.
Entretanto, todos os 1,7 mil veículos da frota que tem média de cinco anos de rodagem, passam pela capital mineira, onde estão a maioria dos fornecedores. A maioria dos ônibus
são Scania, mas há também Mercedes e Volvo.
A solidez do negócio fez com que a Gontijo adquirisse, em 2004, a também mineira Viação São Geraldo, uma das primeiras do ranking nacional e das maiores do setor. De acordo com o diretor, a empresa está presente hoje em 19 estados do país e também no Distrito Federal, com exceção
de Amazonas, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com um contingente de 7 mil funcionários.
A concorrência acirrada do transporte próprio – a venda de veículos bateu recordes sucessivos em 2009 – e a política agressiva adotada pelas companhias aéreas para ganhar
a preferência do consumidor são desafios enfrentados pela empresa, juntamente com o transporte clandestino,
que está fora de controle. Depois de registrar crescimento de 10% em 2008, a empresa fechou o ano passado com faturamento igual ao do exercício anterior. O modelo de gestão da Gontijo também é peça fundamental do sucesso. O fundador continua trabalhando aos 86 anos e a divisão de
lucros entre os acionistas não é praticada, para que o recurso seja reinvestido no negócio. "Ele é um empreendedor, inteligente e com uma perspicácia
e sensibilidade muito grandes. Seu trunfo, no início, foi saber mecânica", avalia Marco Antônio Gontijo, que ingressou na companhia há mais de 20 anos de uma forma natural.
"A empresa sempre fez parte das conversas da família, do nosso dia a dia. Hoje, somos quatro irmãos na diretoria
e outros quatro que têm carreira fora da empresa", enfatizou. Por isso, a trajetória e as conquistas da Gontijo
também fazem parte da história do clã.
Depois de adquirir 210 novos veículos, a empresa se prepara para dar continuidade à renovação da frota em 2010, enquanto aguarda as novas regras do processo de licitação para a concessão do serviço de transporte interestadual, pelo governo federal, a partir da Agência Nacional de
Transporte Terrestre (ANTT). Sem medo de enfrentar o
desafio, Gontijo adianta que a empresa possivelmente terá que recomeçar "do zero". Entretanto, a confiança nos 67 anos de expertise é uma garantia para que os gestores consigam atuar com o devido profissionalismo, para dar continuidade ao transporte viário de qualidade, para milhares
de passageiros.